Corretor, entenda como a tecnologia reinventa uma cidade e traz melhorias

Soluções já estão em prática no Brasil e no mundo e devem alcançar uma evolução na relação entre a cidade e a população

Virou rotina ouvir os cidadão reclamando das cidades onde vivem, por falta de infraestrutura adequada. Mas o futuro promete ser mais caótico se não houver uma organização, já que a ONU prevê que a população alcance 8,3 bilhões de habitantes até 2030. As tecnologias se mostram como grandes aliadas para soluções que visem a melhoria da qualidade de vida nos grandes centros urbanos. Elas são capazes de fazer com que uma cidade se reinvente e as respostas precisam ser pensadas desde já para que haja, em um futuro próximo, uma evolução na relação entre a cidade e a população.
Segundo Francisco Cunha, formado em Arquitetura e Urbanismo e sócio da TGI Consultoria, as primeiras, como Nova York (Estados Unidos), Paris (França) e outras cidades europeias e americanas já resolveram os problemas básicos econômicos e ambientais. O nível de tecnologia aplicado para elas já está em um patamar mais avançado. “Porém, as cidades que ainda não atingiram nem o básico, como muitas no Brasil, vai precisar primeiro tratar de questões anteriores, já que não se resolve um problema com aplicativos e software, apesar que eles podem ser agregados”, afirma.
Segundo o consultor, as soluções precisam ser traduzidas na dimensão espacial de um território. É preciso ter conhecimento de quais perspectivas a longo prazo essas cidades têm para aplicar as soluções necessárias. Já James Wright, professor de Estratégia da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Profuturo-Fia, reforça a ideia de que é necessário educar e integrar os cidadãos em processos que vão se aprimorando com o tempo, como em políticas econômicas e sociais para gerar qualidade de vida sustentável no futuro. “Precisamos construir uma sociedade que saiba dialogar e achar soluções integradas que melhorem a vida de todos”, diz.
Os resultados e soluções já começam a aparecer. Francisco Cunha aponta dois aplicativos que já estão desempenhando esse papel revolucionário. O primeiro deles é o Waze, um sistema de navegação que, segundo o consultor, está mudando a percepção de espaço. Ele é capaz não apenas de indicar a direção que deve ser seguida, mas também de mostrar o melhor caminho pegando o menor congestionamento. O segundo é o Uber. “É uma solução para carros que estão ociosos e, ao invés de ser usado para uma pessoa, seria para três. Essa é uma forma de economia compartilhada que deveria diminuir o fluxo de veículos. Mas, na prática, a realidade dos táxis estabelece uma disputa, que é saudável. O Uber melhorou os táxis, mas ainda não resolveu os problemas de trânsito nas cidades brasileiras”, afirma.
O Airbnb é outro exemplo de tecnologia que busca solucionar problemas dos grandes centros urbanos e desponta como solução para a questão da hospedagem. Além de dar ocupação a espaços ociosos, assim como o Uber faria com os carros, ele faz a economia girar e gerar renda. Já o Tinder, programa voltado para relacionamentos, promete mudar a forma de as pessoas se relacionarem, gerando encontros através de um aplicativo.
Soluções
Algumas cidades já apontam soluções práticas na temática da tecnologia a favor de melhorias dos grandes centros urbanos. No Brasil, o Rio de Janeiro transformou a área portuária em um bairro inteligente, uma parceria entre a multinacional Cisco e a prefeitura da cidade. Chamado de Porto Maravilha, a ideia é que a conectividade faça com que a população tenha um maior engajamento com a cidade. No local, o wifi é liberado e existem vários serviços interativos. Os aplicativos alcançam áreas como sustentabilidade, planejamento urbano, mobilidade, turismo, colaboração e acessibilidade. A população pode ter acesso a um guia de serviços, rotas acessíveis, agenda cultural. Há ainda a gestão monitorada do meio ambiente e uso de energia renovável.
Em Goiânia, já foi colocado em prática um sistema de ônibus inteligentes, que garante uma distribuição melhor da frota, gerando menos desperdício e garantindo informações mais precisas sobre a localização do transporte para os passageiros.
Já no exterior, também não faltam exemplos. A cidade britânica de Glasgow recebeu uma premiação de 24 milhões de libras para se tornar uma cidade mais inteligente. O objetivo é reduzir em 30% o consumo de energia até 2020. A cidade, dentre outras medidas, recebeu um sistema inteligente de iluminação: além de subsituir as lâmpadas da iluminação pública por LEDs, elas contam com sensores que ajustam a quantidade de luz necessária de acordo com a claridade do local. Por lá ainda foi instalado um sistema câmeras e cabos de transmissão que ajudam a monitorar toda a cidade e diminuir o índice de vandalismo e criminalidade.
Na Holanda, existe a tradição do uso da bicicleta para os deslocamentos urbanos. Em Roterdã há um teste com um semáforo com sensores de temperatura infravermelho. A ideia é descongestionar as ciclovias da cidade, incentivando o tráfego não poluente. O sensor detecta o grau de calor dependendo da quantidade de bicicletas e, quanto mais, menor é o tempo de espera para que o sinal fique verde.
Em Barcelona, na Espanha, os semáforos são inteligentes porque são sincronizados com ambulâncias e carros dos Bombeiros. Em uma situação de emergência, quando os veículos se aproximam dos sinais, eles ficam verdes, deixando o caminho livre para um socorro mais ágil e para maior segurança dos demais usuários da via.


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